Um episódio que poderia ter terminado em tragédia teve um desfecho positivo na manhã desta quarta-feira (21), na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Tio Patinhas, localizada no Centro de Rio Pardo, no Vale do Rio Pardo. Uma professora da instituição foi fundamental para salvar a vida de uma criança que sofreu um engasgo durante o período escolar.
A rápida intervenção da profissional, que utilizou conhecimentos adquiridos em cursos de primeiros socorros, permitiu que a situação fosse controlada. O caso chamou a atenção para a importância da capacitação dos profissionais da educação para agir diante de situações de emergência.
Em entrevista exclusiva ao Plantão de Notícias Rio Pardo, a professora, que ainda tenta assimilar os acontecimentos, contou detalhes sobre sua trajetória, como aprendeu a realizar a manobra de desengasgo e os sentimentos que vieram à tona após perceber a gravidade do episódio.
Quem é a professora que ajudou a salvar a criança?
Natural de Santo Antônio da Patrulha, a educadora reside atualmente no município de Pantano Grande e possui experiência de vários anos na Educação Infantil.
Há dois anos, integra a rede municipal de ensino de Rio Pardo, onde desempenha seu trabalho junto às crianças.
O conhecimento que fez a diferença durante a emergência foi adquirido por meio de formações voltadas aos primeiros socorros, especialmente aquelas relacionadas à Lei Lucas (Lei Federal nº 13.722/2018), que estabelece a obrigatoriedade de capacitação em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos de ensino públicos e privados de educação básica e de recreação infantil.
Segundo a professora, esses conhecimentos foram essenciais para que soubesse como agir diante de uma situação em que cada segundo poderia fazer a diferença.
"Aprendi a fazer a manobra de desengasgo por meio de algumas formações que fiz, principalmente a Lei Lucas, que prepara os profissionais da educação para agir em situações de emergência e prestar os primeiros socorros", explicou.
“Procurei manter a calma e fazer o que havia aprendido”
Ao relembrar os momentos de tensão vividos dentro da escola, a professora destacou que, apesar do nervosismo natural diante de uma emergência envolvendo uma criança, procurou manter a tranquilidade e colocar em prática os conhecimentos adquiridos.
"Na hora, procurei manter a calma e fazer o que havia aprendido nas formações. A gente sabe que precisa agir rápido, mas, quando acontece de verdade, é muito diferente, ainda mais quando envolve uma criança", relatou.
A declaração revela a diferença entre aprender uma técnica durante uma capacitação e precisar executá-la em uma situação real, especialmente quando a vida de uma criança está em risco.
Mesmo diante da pressão do momento, a educadora conseguiu agir e realizar a manobra necessária para desobstruir as vias aéreas da criança.
“Ainda estou em choque com tudo o que aconteceu”
Embora o episódio tenha terminado bem, o impacto emocional ainda é sentido pela profissional.
Durante a entrevista, ela revelou que somente depois de controlar a situação conseguiu dimensionar a gravidade do que havia acontecido.
"Ainda estou em choque com tudo o que aconteceu. É difícil explicar o que a gente sente em um momento desses. Na hora, tentei me concentrar e fazer o que precisava ser feito, mas, depois que tudo passou, veio a emoção de perceber a gravidade da situação", contou.
A professora explicou que, durante a emergência, sua preocupação estava concentrada em prestar socorro à criança. Somente após o desfecho positivo vieram o alívio e a emoção.
"Ver que deu tudo certo e que a criança está bem é um alívio enorme. Fico muito feliz por ter conseguido ajudar, mas ainda estou assimilando tudo o que aconteceu! Mas grata a Deus por tudo ter ocorrido bem!", declarou.
Capacitação em primeiros socorros fez a diferença
O episódio ocorrido na EMEI Tio Patinhas reforça a importância da preparação dos profissionais que atuam diariamente com crianças, especialmente na Educação Infantil.
A Lei Lucas, sancionada em 2018, recebeu esse nome em homenagem a Lucas Begalli Zamora, menino de 10 anos que morreu após se engasgar durante um passeio escolar, em 2017, no estado de São Paulo.
A legislação surgiu justamente para ampliar a preparação de professores e funcionários de instituições de ensino, permitindo que possam reconhecer situações de emergência e prestar os primeiros atendimentos até a chegada de socorro especializado, quando necessário.
No caso registrado em Rio Pardo, o conhecimento adquirido pela professora foi determinante para sua atuação durante o engasgo.
A situação também demonstra que a formação em primeiros socorros vai além de uma exigência legal, representando uma medida concreta de proteção à vida dentro do ambiente escolar.
Uma atitude que merece reconhecimento
Acostumados a desempenhar diariamente a missão de ensinar, acolher e cuidar, os profissionais da Educação Infantil também podem se deparar com situações inesperadas que exigem decisões rápidas.
Na manhã desta quarta-feira, uma dessas situações colocou à prova a preparação de uma professora da rede municipal de Rio Pardo.
Com conhecimento, agilidade e controle emocional, ela conseguiu transformar um momento de grande preocupação em uma história de alívio para a comunidade escolar.
Para a educadora, o sentimento que permanece é de gratidão por tudo ter terminado bem. Para a comunidade, o episódio deixa uma importante reflexão sobre a valorização dos profissionais da educação e a necessidade de investimentos contínuos em capacitação.
Mais do que um ato de coragem, a atitude da professora demonstra como o conhecimento adquirido em uma formação pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
Reportagem: Plantão de Notícias Rio Pardo — 21 de outubro de 2026.










