O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça sete policiais militares pela morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, durante uma operação realizada no interior de Pelotas. A denúncia, apresentada na sexta-feira (23), também inclui a acusação de tentativa de homicídio contra a esposa da vítima.
O caso aconteceu na madrugada de 15 de janeiro de 2026, na localidade da Cascata. Conforme a investigação, os policiais buscavam integrantes de um grupo suspeito de envolvimento em roubos, mas acabaram chegando à propriedade da família Nörnberg após um erro na identificação do endereço.
Durante a operação, o agricultor foi atingido por oito disparos de fuzil de uso restrito e morreu no local. A esposa dele, que também estava na residência, sobreviveu.
De acordo com o Ministério Público, três dos policiais denunciados participaram da identificação do endereço onde seria realizada a operação, enquanto outros quatro atuaram diretamente na ação que terminou com os disparos.
A investigação conduzida pela Polícia Civil apontou uma grave falha técnica na identificação da propriedade. Os policiais envolvidos sustentaram que teriam reagido a disparos efetuados pelo agricultor. Entretanto, os elementos reunidos durante a apuração, incluindo uma reprodução simulada dos fatos, não deram respaldo à versão de legítima defesa, segundo o Ministério Público.
O promotor de Justiça Frederico Carlos Lang, responsável pela denúncia, enquadrou os fatos como homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada, considerando o emprego de arma de fogo de uso restrito e a circunstância de que as vítimas teriam sido surpreendidas sem possibilidade efetiva de defesa.
O Ministério Público também solicitou que os sete policiais sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, além da perda dos cargos públicos e da fixação de indenização aos familiares do agricultor.
O caso também foi investigado internamente pela Brigada Militar. O inquérito policial militar havia concluído pela inexistência de crimes militares, entendimento posteriormente contestado pelo Ministério Público, que solicitou novas diligências.
Com a apresentação da denúncia, caberá agora à Justiça analisar a acusação e decidir se os policiais se tornarão réus. A denúncia não representa condenação, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.










